quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O professor está sempre errado

Por Sthefan Berwanger

15 de fevereiro de 2008

“A capacidade de admitir falhas em sala de aula é fundamental para o professor, e ao contrário do que se imagina, pode até melhorar a relação com seus alunos. Um pequeno ensaio sobre a atividade docente e a falibilidade humana.”

Lembro que a alguns anos, logo que comecei a dar aulas nos cursos Superiores de Tecnologia, entrei na sala dos professores, e me deparei com o seguinte texto afixado na parede, cujo título tomei emprestado, e abaixo reproduzo integralmente:

O Professor Está Sempre Errado

Quando…
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um coitado.
Tem automóvel, chora de “barriga cheia”.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta às aulas, é um “Caxias”.
Precisa faltar, é turista.
Conversa com os outros professores, está “malhando” os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó dos alunos.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama à atenção, é um grosso.
Não chama à atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a “língua” do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, “deu mole”.
É, o professor está sempre errado mas, se
você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!

Tinha achado sensacional o que tinha acabado de ler! Era dia do professor e alguém ali fixou o texto. Peguei uma cópia e fiz outras tantas cópias, para distribuir entre os meus alunos do curso.

Então um deles me falou: “E aí professor hoje é o seu dia! Vamos tomar uma gelada lá na “padoca” (padaria) depois da aula?”. Por um momento pensei que não seria mal, porém ponderei que, a partir do momento em que me formei e passei a dar aulas, percebi que tinha passado para o outro lado da trincheira. Agora era o profissional, o professor, e tinha que ter algum distanciamento, então capitulei o convite.

No texto supracitado, a primeira sentença já me parecia endereçada: “É jovem, não tem experiência”. Como eram as minhas primeiras aulas na graduação, certamente perceberam que se tratava de um iniciante, estava tenso, hesitante. Não que me importasse sobre o que pensavam, mas que era intimidador encarar pela primeira vez quase 40 alunos, a isso era. Fora o choque de ouvir alguns alunos na casa dos 40 ou 50 anos me chamando de “senhor”. Onde estavam mesmo minhas barbas brancas?

Nem tão racional, nem tão emocional. Nem tão libertário, nem tão autoritário. Cada profissional descobre seu equilíbrio entre cada uma das sentenças em oposição com o passar dos anos. Alguns colegas, talvez por orgulho, não aprendem, de que é preciso se adaptar, ter bom senso, ser flexível.

Mas o que fazer com esta sentença?

“Não tem automóvel, é um coitado.
Tem automóvel, chora de “barriga cheia”.”

Talvez nesse caso a solução seja comprar uma bicicleta, não?

Admitir as falhas é o melhor caminho

Desde que iniciei a carreira como docente até os dias de hoje, ocorreram situações constrangedoras onde cometi erros em sala de aula, tanto erros conceituais ligadas à matéria, como por esquecimento de passagens pelo meio do caminho. Muitas vezes eu mesmo percebia o erro e logo corrigia, ou acontecia o caso mais embaraçoso, quando um aluno me corrigia.

Já ocorreu até mesmo de eu ter errado o enunciado de uma prova, e vou dizer aqui: este tema, sobre falhas em sala de aula, por vezes, é encarado como tabu entre nós professores. Pelo menos em minha experiência no ensino superior, nunca se conversou sobre o assunto abertamente, nem mesmo em reuniões pedagógicas como forma de troca de experiências. Os “pecados” em sala de aula, quando muito, são confessados somente aos colegas mais próximos. De certa forma é uma atitude natural, afinal as pessoas preferem se resguardar.

Cada indivíduo tem uma reação diferente quando erra, mas posso dizer por experiência própria que admitir o erro perante os alunos é bem mais nobre, além de reverter o jogo a seu favor. Eles sabem que dentro da sala o professor é a entidade que detém o conhecimento e a experiência, e que devem respeitá-lo por isso. Admitir o erro, neste caso, é uma demonstração de humildade, atenua o constrangimento e reforça sua condição humana sujeita a falhas.

Por outro lado, os erros cometidos pelo docente começam a ser um problema quando passam a ser freqüentes, então chega o momento de refletir se a disciplina é adequada ao seu perfil, se realmente gosta do ofício. Sobrecarga devido ao excesso de atividades gera cansaço, stress e falta de tempo para o planejamento, tornando as falhas constantes no momento de conduzir a aula. Dessa forma, a credibilidade do docente e da instituição que representa, ficam comprometidas.

A necessidade da adaptação

Os alunos trocam muitas informações. Qualquer deslize de um professor não tão popular pode ser bastante amplificado. Quando precisa lembrar-se de seus direitos, eles têm o discurso na ponta da língua: O direito das aulas começarem pontualmente e terminarem no horário determinado, de ter um professor qualificado que não falte, das instalações da instituição estarem em dia.

Então rebato com os seus respectivos deveres de: comparecer pontualmente às aulas, não sair antes que se encerre salvo em casos excepcionais, não enforcar as sextas-feiras no bar, estudar e não bagunçar as aulas, respeitar o professor e demais funcionários da instituição, respeitar os colegas de aula, não depredar a instituição. E eis que surge o silêncio total em sala de aula…

Aproveito para desfazer uma ilusão junto aos que desejam seguir o ofício. Logo que comecei, achava que todas as turmas seriam iguais: haveria uma proporção x% de alunos estudiosos, uma proporção y% de bagunceiros e assim por diante. Ledo engano, cada turma tem seu “DNA”, ou como me disse um colega certa vez: cada turma é como um cafezinho com proporções diferentes de água pó e açúcar. A impressão é de que se forma uma “alma coletiva”, e mesmo turmas do mesmo curso no mesmo Campus podem ser bem diferentes.

Portanto, a capacidade de adaptação a este “DNA”, principalmente em ambientes mais hostis, é o diferencial. Naturalmente não estou falando em facilitar o lado dos alunos nos casos mais difíceis, e nem precisa. Um dos papéis do coordenador de curso é justamente o de auxiliar professores em apuros. Hoje em dia onde tantos ventos sopram ao contrário, é bom ter cautela, faz bem à sua saúde, e ao seu salário no fim do mês.

Reforçando a idéia, cito o educador brasileiro Paulo Freire que em uma de suas obras escreve o seguinte:

“ensinar exige respeito aos saberes dos educandos, ensinar exige bom senso, ensinar exige humildade, tolerância e luta pelos direitos dos educadores, ensinar exige saber escutar, ensinar exige liberdade e autoridade”.

Para finalizar, caros colegas educadores de todos os níveis de ensino, sugiro que distribuam os singelos versos do texto inicial aos seus educandos, adicionando antes duas linhas que acho pertinente:

O Professor Está Sempre Errado

Quando…
Erra a matéria, é um despreparado
Não erra a matéria, é porque decorou que nem papagaio?

Efraim Marques

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

25 de Dezembro! Nascimento de quem mesmo?

Celebração do Natal

Ilustração: Digamos que pessoas em grande número vão à casa de certo cavalheiro, dizendo que estão ali para celebrar o aniversário natalício dele. Ele não é a favor de celebrações de aniversários natalícios. Não gosta de ver pessoas comer demais ou embriagarem-se, nem empenharem-se em conduta desregrada. Mas algumas dessas pessoas fazem todas essas coisas, e trazem presentes para todos os que se acham ali, menos para ele! E, ainda por cima, escolhem como data para tal celebração o aniversário natalício de um inimigo desse homem. Como se sentirá tal homem? Gostaria você de ser partícipe disso? É exatamente isso que se faz nas celebrações do Natal.

Por Márcio Campos

FONTE:

Reasoning From the Scriptures

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

REVOLUCIONE A SALA DE AULA

Qual a profissão mais importante para o futuro de uma nação? O engenheiro, o advogado ou o administrador? Vou decepcionar, infelizmente, os educadores, que seriam seguramente a profissão mais votada pela maior parte dos leitores. Na minha opinião, a profissão mais importante para definir uma nação é o arquiteto. Mais especificamente o arquiteto de salas de aula.

Na minha vida de estudante frequentei vários tipos de sala de aula. A grande maioria seguia o padrão usual de um monte de cadeiras voltadas para um quadro negro e uma mesa de professor bem imponente, em cima de um tablado. As aulas eram centradas no professor, o "lócus" arquitetônico da sala de aula, e nunca no aluno. Raramente abrimos a boca para emitir nossa opinião, e a maior parte dos alunos ouve o resumo de algum livro, sem um décimo da emoção e dos argumentos do autor original, obviamente com inúmeras honrosas exceções.

Nossos alunos, na maioria, estão desmotivados, cheios das aulas. É só lhes perguntar de vez em quando. Alguns professores adoram ser o centro das atenções, mas muitos estão infelizes com sua posição de ator obrigado a entreter por cinquenta minutos um bando de desatentos.

Não é por coincidência que somos uma nação facilmente controlada por políticos mentirosos e intelectuais espertos. Nossos arquitetos valorizam a autoridade, não o indivíduo. Nossas salas de aula geram alunos intelectualmente passivos, e não líderes; puxa sacos, e não colaboradores. Elas incentivam a ouvir e obedecer, a decorar, e jamais a ser criativos.

A primeira vez que percebi isto foi quando estudei administração de empresas no exterior. A sala de aula, para minha surpresa, era construída como anfiteatro, onde os alunos ficavam num plano acima do professor, não abaixo. Eram construídas em forma de ferradura ou semicírculo, de tal sorte que cada aluno conseguia olhar para os demais. O objetivo não era a transmissão de conhecimento por parte do professor, esta é a função dos livros, não das aulas.

As aulas eram para exercitar nossa capacidade de raciocínio, de convencer nossos colegas de forma clara e concisa, sem "encher lingüiça", indo direto ao ponto. Aprendíamos a ser objetivos, a mostrar liderança, a resolver conflitos de opinião, a chegar a um comum acordo e obter ação construtiva. Tínhamos de convencer os outros da viabilidade de nossas soluções para os problemas administrativos apresentados no dia anterior. No Brasil só se fica na teoria. No Brasil, nem sequer olhamos no rosto de nossos colegas, e quando alguém vira o pescoço para o lado é chamado à atenção. O importante no Brasil é anotar as pérolas de sabedoria.

Talvez seja por isto que tão poucos brasileiros escrevem e expõem as suas idéias. Todas as nossas reclamações são dirigidas ao governo - leia-se professor - e nunca olhamos para o lado para trocar idéias e, quem sabe, resolver os problemas sozinhos.

Se você ainda é um aluno, faça uma pequena revolução na próxima aula. Coloque as cadeiras em semicírculo. Identifique um problema de sua comunidade, da favela ao lado, da própria faculdade ou escola, e tente encontrar uma solução. Comece a treinar sua habilidade de criar consenso e liderança. Se o professor quiser colaborar, melhor ainda. Lembre-se de que na vida você terá de ser aprovado pelos seus colegas e futuros companheiros de trabalho, não pelos seus antigos professores.

Publicado na Revista VEJA, Editora Abril, edição 1671, Ano 33, nº 42 de 18 de outubro de 2000, página 23

  • Achei interessante postar este Artigo, pois acredito que nós brasileiros damos mais importância ao problema, procurando muitas vezes um culpado ou o culpado, mas não nos detemos no principal: como poderia eu solucionar o problema que me cerca? Ou quem sabe já auto se avaliou e questionou-se: será que eu sou o problema? Sei que não sou perfeito, aliás quem o é, no entanto quando adquirimos a capacidade de reconhecer que também podemos ser falhos, estamos caminhando para perfeição. Pense nisso e faça a diferença.

Efraim Marques

22/out/2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

COMBATE AO BULLYING NA SEMANA DE LETRAS

O BULLYING SERÁ UM DOS TEMAS ABORDADOS NA SEMANA DE LETRAS DA FACULDADE SÃO MIGUEL . SERÃO APRESENTADAS TODAS AS FORMAS DE BULLYING QUE EXISTEM DENTRO DAS ESCOLAS PARTICULARES E DAS REDES MUNICIPAIS E ESTADUAIS. DENTRE ELES ESTÁ O CYBER BULLYING, QUE TEM SE TORNADO UMA CONSTANTE NA VIDA DE ALUNOS E INCLUSIVE NA VIDA DOS PROFESORES, QUE TAMBÉM TEM SOFRIDO AGRESSÕES EM SITES DE RELACIONAMENTOS.

DANIELLA MORAIS, 3º PERIODO DE LETRAS DA FACULDADE SÃO MIGUEL.

domingo, 10 de outubro de 2010

Acredito na Educação

Meu nome é Andreza Lucena, sou estudante de letras estou no terceiro período de letras na Faculdade São Miguel e estágio na rede municipal há dois meses.
Quando comecei na rede municipal, fiquei chocada com o sistema educacional. Achava que iria auxiliar o professor, mas acabei sendo regente, ou seja, de aprendiz, virei mestre.
A escola da qual faço parte o quadro de professores 90% são de estagiários, em que os alunos da rede municipal são formados pelos aprendizes. Percebi daí que o governo não investe nas escolas, nos professores e muito menos na classe estagiária. Há uma redução de custos, ou seja, mão de obra barata, já que os nossos salários são muito baixos.
Apesar disso, não me desestimulou a ser professora, independentemente de como a educação se encontra, que hoje em dia, está totalmente defasada.
Assim, continuarei na luta, por uma educação boa e gratuita. Acredito que à educação é a base para a revolução.
Andreza Lucena